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    Claretiano - Detalhes do Post: Diversidade no mercado de trabalho no Brasil: onde estamos e para onde precisamos ir?

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    Diversidade no mercado de trabalho no Brasil: onde estamos e para onde precisamos ir?

    Você já parou para pensar como a diversidade realmente se manifesta dentro das empresas brasileiras? O tema vem ganhando cada vez mais espaço nas discussões corporativas, eventos de RH e estratégias de negócio. Mas, na prática, o mercado de trabalho brasileiro reflete esse discurso? A diversidade vai muito além de uma campanha de marketing ou de datas comemorativas. Ela está diretamente ligada à construção de ambientes mais inovadores, inclusivos e justos.

    Neste conteúdo, reunimos dados de diferentes estudos e pesquisas para traçar um panorama realista sobre a diversidade nas organizações do Brasil. Vamos analisar a participação de diferentes grupos — por gênero, raça, orientação sexual, deficiência, entre outros — e entender quais os maiores desafios para implementar, de fato, uma cultura de inclusão.

    Continue a leitura para se informar e refletir sobre esse importante tema!


    Afinal, existe diversidade no mercado de trabalho brasileiro?

    Vamos entender melhor o cenário atual da diversidade nas empresas do Brasil, a partir de alguns recortes específicos:


    Gênero: a igualdade ainda é um desafio

    Será que homens e mulheres têm as mesmas oportunidades quando o assunto é emprego e remuneração?

    Segundo o estudo Estatísticas de Gênero: Indicadores Sociais das Mulheres no Brasil, do IBGE, em 2019, 54,5% das mulheres com 15 anos ou mais estavam empregadas ou buscando uma ocupação, enquanto o percentual entre os homens era de 73,7%.

    O recorte por maternidade é ainda mais revelador: entre mulheres de 25 a 49 anos com filhos de até 3 anos, a taxa de ocupação foi de apenas 54,6%, contra 67,2% entre aquelas sem filhos pequenos. Para os homens, a lógica se inverte: a taxa de ocupação chega a 89,2% entre os pais de crianças pequenas, superando até os que não têm filhos (83,4%).

    A desigualdade também é evidente nos salários. Em média, as mulheres receberam 77,7% do salário dos homens em 2019, sendo que nas funções de liderança, como diretoria e gerência, esse percentual cai para 61,9%.


    Raça: representatividade ainda distante da realidade brasileira

    Mesmo representando 55,7% da população brasileira, a população negra continua enfrentando grandes barreiras no mercado de trabalho.

    De acordo com o Núcleo de Estudos Raciais do Insper, em 2021, a taxa de desocupação era de 20,5% entre mulheres negras e de 12,8% entre homens negros, contra 13,7% e 9,4%, respectivamente, entre mulheres e homens brancos.

    A disparidade salarial também persiste: homens negros recebem, em média, 13% a menos que homens brancos em cargos com o mesmo vínculo e escolaridade.

    Além disso, a ascensão a cargos de liderança ainda é um desafio. Uma pesquisa do LinkedIn com 1.117 profissionais negros revelou que 93% percebem obstáculos raciais para alcançar posições de liderança, e 42% acreditam que a diversidade não é valorizada pelas empresas.


    LGBTQIAPN+: sub-representação e invisibilidade

    Um estudo realizado pelo Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+ em parceria com a plataforma To.gather, que analisou 300 empresas (com um total de 1,5 milhão de trabalhadores), revelou que apenas 4,5% dos postos de trabalho são ocupados por pessoas LGBTQIAPN+.

    Para fins de comparação, uma pesquisa do Datafolha estima que 7% da população brasileira pertence à comunidade LGBTQIAPN+ — ou seja, sua representação no mercado está abaixo da média populacional.

    O cenário é ainda mais desafiador para pessoas trans: apenas 0,38% dos postos de trabalho são ocupados por profissionais trans.


    Pessoas com deficiência (PCDs): barreiras estruturais ainda persistem

    De acordo com o IBGE, o Brasil possui 18,6 milhões de pessoas com deficiência, mas apenas 5,1 milhões estão inseridas no mercado de trabalho.

    Um levantamento da Gupy, realizado em 2024, revelou que a presença de profissionais PCDs ainda é extremamente baixa nas empresas, independentemente do porte:

    • Até 200 funcionários – 1,1%
    • De 201 a 500 – 1,7%
    • De 501 a 1.000 – 1,9%
    • De 1.001 a 4.000 – 1,8%
    • Acima de 5.000 – 2,4%

    Por que ainda é tão difícil avançar?

    Apesar do crescente debate sobre diversidade e inclusão, muitas empresas ainda enfrentam dificuldades para transformar o discurso em ação.

    O relatório Tendências de Gestão de Pessoas 2024, da Great Place To Work (GPTW), mostra que diversidade e inclusão não figuram entre as prioridades estratégicas da maioria das empresas.

    Entre os principais desafios apontados, estão:

    • Falta de políticas internas estruturadas (comitês, canais de escuta, metas específicas);
    • Baixo engajamento das lideranças;
    • Desinformação sobre o tema.

    Um estudo do Pacto Global da ONU (Rede Brasil) em parceria com o CEERT revelou que 57% das empresas não têm lideranças engajadas com a causa da diversidade, e que a falta de informação e preparo é uma barreira significativa.

    Outro ponto crítico é que muitas ações se limitam a dois grupos — mulheres e pessoas negras —, deixando de lado outras identidades como LGBTQIAPN+, PCDs, pessoas 50+, indígenas, quilombolas, refugiados e egressos do sistema prisional.

    Os dados mostram que a diversidade no mercado de trabalho brasileiro ainda está longe do ideal. Embora haja avanços, a inclusão plena e equitativa de todos os grupos ainda é um desafio real e que exige compromisso contínuo das empresas, da sociedade e do poder público.

    Iniciativas verdadeiramente transformadoras precisam ir além do simbólico e se traduzir em ações concretas, com metas, monitoramento e participação ativa de todas as lideranças.

    Categoria:

    Diversidade e Inclusão

    Tags:

    #DiversidadeEInclusão#MercadoDeTrabalho#Equidade#InclusãoCorporativa#GestãoDePessoas